Sou Juliane Vieira, tenho 29 anos, sou advogada e moro em Cascavel, no Oeste do Paraná.
A recuperação não acontece de uma vez. Ela é feita de pequenas conquistas, dias difíceis e muitos recomeços.
Sou advogada, formada em Direito desde 2018.
Minha trajetória profissional sempre esteve ligada à área jurídica. Atuei na advocacia, trabalhei no Ministério Público e também fui assessora de delegado na Polícia Civil de Cascavel.
Durante anos, conciliei trabalho e estudos para concursos públicos. Tinha meu escritório, minha rotina, meus planos e uma vida organizada.
O CrossFit também fazia parte dos meus dias. Era o esporte que eu amava e onde encontrava equilíbrio para lidar com a ansiedade e com a intensidade da rotina.
Até que tudo mudou.
Naquele dia, um incêndio atingiu o apartamento onde eu morava, no 13º andar de um prédio em Cascavel.
Pela janela, consegui salvar minha mãe e meu priminho de 4 anos.
Naquele incêndio, sofri queimaduras em mais de 60% do corpo.
Após o resgate, fui levada ao Hospital Universitário de Cascavel. Três dias depois, fui transferida de avião para o Centro de Tratamento de Queimados de Londrina, onde permaneci internada por meses e ainda sigo realizando meus tratamentos.
Começava ali uma longa caminhada de cirurgias, enxertos, tratamentos e fisioterapia.
Depois da alta hospitalar, começou uma nova fase.
Precisava recuperar força, mobilidade, independência e aprender a conviver com todas as mudanças provocadas pelo acidente.
A fisioterapia passou a fazer parte da minha rotina. Depois, a academia entrou como uma nova etapa de fortalecimento, com um objetivo que continua muito presente: voltar, no meu tempo, a praticar CrossFit.
Depois da alta, comecei a receber mensagens de famílias de diferentes cidades.
Foi quando percebi que a minha história não era um caso isolado.
Passei a utilizar minhas redes sociais para dar visibilidade a esses relatos, buscar informações e chamar atenção para uma realidade que muitas vezes só é percebida quando uma emergência acontece.
Queimaduras graves acontecem de forma inesperada.
Ninguém planeja precisar de uma UTI especializada, de cirurgias, enxertos ou de uma equipe preparada especificamente para tratar queimaduras.
Mas, quando isso acontece, a estrutura precisa estar pronta.
Hoje, casos de maior complexidade no Oeste do Paraná podem depender de transferência para Londrina e Curitiba.
Ter atendimento especializado mais próximo significa reduzir deslocamentos, facilitar o acompanhamento das famílias e fortalecer a rede regional de saúde.
Em 2013, foram anunciados recursos para a implantação de uma Ala de Queimados no Hospital Universitário do Oeste do Paraná, em Cascavel. O projeto previa inicialmente 20 leitos e tinha como objetivo ampliar o atendimento especializado no Estado.
Foram anunciados recursos para a construção da estrutura e aquisição de equipamentos.
Foi assinado o contrato para o início das obras, com prazo previsto de 18 meses.
Novos recursos foram anunciados para a conclusão da estrutura.
Registros apontam a conclusão física do prédio.
A unidade ainda não funcionava como serviço especializado em queimados. Com a pandemia, o espaço passou a ser utilizado para atendimento hospitalar relacionado à Covid-19.
A estrutura existe e passou a receber outras utilizações dentro do hospital, mas o serviço especializado em queimados para o qual ela foi originalmente planejada não entrou em funcionamento.
Quando uma emergência acontece, não há tempo para improvisar. Estrutura, profissionais preparados e atendimento especializado precisam existir antes da necessidade aparecer.
Hoje, compartilho minha trajetória, minha recuperação e as causas que passaram a fazer parte da minha vida.
Ter atendimento especializado mais próximo significa reduzir deslocamentos, facilitar o acompanhamento das famílias e fortalecer a rede regional de saúde. Quando uma emergência acontece, não há tempo para improvisar: estrutura, profissionais preparados e atendimento especializado precisam existir antes da necessidade aparecer.
Mais estrutura para a saúde pública, ampliação do acesso a exames, consultas e tratamentos especializados, fortalecimento do transporte sanitário e atenção especial à saúde da mulher.
Prevenção, diagnóstico precoce e atendimento mais próximo das pessoas também fazem parte dessa discussão.
Educação também é prevenção.
Escolas estruturadas, profissionais valorizados e ações educativas sobre primeiros socorros, prevenção de acidentes, saúde e segurança podem contribuir para ambientes mais preparados e seguros.
O cuidado com a saúde mental precisa ser acessível.
Ampliar o atendimento psicológico e psiquiátrico, fortalecer a rede de atenção psicossocial e investir em prevenção e acolhimento são temas essenciais para crianças, jovens, adultos e famílias.
Segurança pública também depende de estrutura.
Equipamentos adequados, melhores condições de trabalho para os profissionais de segurança e socorro, prevenção da violência e fortalecimento da proteção às mulheres são pontos importantes para o atendimento à população.
O esporte é saúde, inclusão e qualidade de vida.
Estruturas esportivas adequadas, projetos de base e maior acesso à prática esportiva podem transformar a realidade de crianças, jovens e adultos.
Envelhecer com dignidade também significa ter acesso à saúde, prevenção, segurança e convivência.
Prevenção de quedas e acidentes, proteção contra violência e abandono e ações que incentivem autonomia e qualidade de vida fazem parte desse cuidado.
A proteção das mulheres exige integração entre saúde, segurança, assistência social e acesso à informação.
Prevenção da violência, acolhimento adequado e fortalecimento da rede de atendimento são fundamentais para que mulheres em situação de vulnerabilidade consigam buscar ajuda.